quinta-feira, 11 de agosto de 2011

SEXTA FALA MACACO! com Bianca Magalhães.

Fiquei feliz hoje quando Henrique me convidou para ser a primeira pessoa a escrever no Macaco Sabido, como convidada. Como ele deixou em aberto o tema, resolvi falar um pouco sobre minha vida, já que esta é a proposta inicial do blog.

Meu nome é Bianca Magalhães, tenho 20 anos. Sou (também) estudante de Psicologia, filha, namorada, amiga e recentemente, mãe.

Desde o dia 21 de outubro de 2010, que eu experimento essa sensação de alegria, medo, responsabilidade, felicidade, completude e muita, muita mudança.
Resolvi falar justamente sobre isso. Essa minha última experiência no mundo materno. Tão inesperada e feliz.
Como todo mundo já sabe (ou apenas imagina), ser mãe quando os papeis sociais e econômicos ainda não estão estabelecidos é uma tarefa árdua. E assim foi comigo. Difícil, porém com muito aprendizado e um toque especial da maturidade que chegou antes do tempo. Até então minha vida era como a de qualquer outro jovem. Mas durou pouco, rs. No auge dos meus 19 anos, descobri que estava grávida, sem sombra de dúvidas, do grande e único amor.

Marina Flor veio para mudar e iluminar a minha vida. Veio pra me mostrar o que eu realmente sou, para me ajudar a dar valor a família que eu tenho, a agradecer a Deus pelo namorado que eu tenho. Hoje eu não consigo imaginar como seria minha vida se ela não existisse. Não consigo pensar que seria melhor, que eu seria mais livre, mais feliz. Porque mesmo com toda limitação, eu posso dizer com toda certeza do mundo, não há nada que compare a felicidade de ter uma vida que é sua, vivendo fora de você. O cuidado, a dedicação, o aprendizado... e muito aprendizado mesmo. Como eu já disse, não é e nunca foi fácil (ninguém me disse que seria). O que tem acontecido comigo e com a Marina Flor é exatamente isso. Estamos aprendendo a conviver uma com a outra, se adaptando aos nossos modos de ser, e confesso que tem sido uma experiência maravilhosa. É tudo muito simples, muito intenso e muito valioso. Cada segundo é pra ser vivido com a veemência do sempre, porque marca.

Quando eu a vi pela primeira vez, não teve palavra que pudesse expressar. Primeiro porque meu parto foi extremamente rápido (me orgulho disso rs), a Marina Flor nasceu antes mesmo da médica aparecer... Quando eu a olhei em cima da cama, assustada, chorando, com os bracinhos pro ar, como quem quer agarrar a primeira coisa que aparecer para sentir-se segura, a minha única reação foi chorar, sorrir e agradecer muito a Deus. Foi exatamente nesse momento que começou pra valer a minha jornada nesse mundo materno. Eu a olhei e vi o rosto do pai dela. Contei os dedos, beijei, e novamente, só conseguia chorar e agradecer a Deus, e em meio de soluços e risos, eu dizia bem perto do ouvidinho dela “filha, eu te amo mais que tudo nessa vida, obrigada por me fazer feliz”. Ela se acalmou assim que parou em meus braços... e eu pensava que isso só acontecia em filme rsrs. Não me lembro de ter sentido emoção igual ou tão forte quanto.

A primeira vez que eu a amamentei, nossa! Foi além do ato meramente biológico, eu estava em êxtase. Não pude olhar nos seus olhos nesse momento, pela posição que eu estava, mas quando ela sentiu-se satisfeita, num ato de curiosidade, eu suponho, ela olhou para mim como quem quis conhecer a pessoa que lhe trouxera ao mundo. Se antes as minhas emoções já apontavam para algo extremamente único, esse momento foi ainda mais significativo. O que existia naquele momento era apenas eu e a Marina Flor, nos conhecendo, admirando, sentindo. Ela tinha a expressão de satisfação mais bela que eu já tinha visto na vida. Os olhinhos dela, que ainda não enxergavam praticamente nada, buscavam no contorno do meu rosto alguma coisa que pudesse projetar minha imagem. E mais uma vez eu fiz questão de dizer para ela o que eu disse exatamente quando ela nasceu... Chorei muito de felicidade, disse o quanto eu a amava, o quanto ela foi esperada, o quanto ela é importante. Foi exatamente ali que eu senti que ser mãe é uma experiência muito bonita, para quem sabe aproveitar, para quem espera e para quem ama. Se você que lê esse blog, ainda não foi mãe, eu desejo que um dia experimente isso que eu experimentei.

Marina Flor faz 2 meses hoje. No dia 12 de junho de 2011, O dia que mudou minha vida pra sempre. Exatamente às 7:55 PM chegava o mundo o ser responsável por me tornar uma pessoa diferente, extremamente. Ser mãe é mesmo essa coisa mágica que dizem por aí... é literalmente padecer no paraíso. Com seus encantos e dificuldades, cheio das verdades da vida real. É isso, ser mãe é dar de cara com a vida real.

E tem coisa mais gostosa do que vida de verdade?


Obs: Blog da Bianca: CHEIRO DE MOFO. Link: http://www.odeur-de-moisi.blogspot.com/

Fragmentos – Pedaços de vidas embrulhados em lembranças

Nossa... Hoje vou atacar de crítico de arte e comentar uma peça que acabei de ver com vinha avó. Acho que antes de falar do espetáculo é bom relatar como surgiu a ideia de vê-lo.

Acordei pronto para resolver alguns assuntos pendentes e um deles incluía ir ao shopping pagar algumas contas e contratar um serviço de internet que prestasse. Saindo de casa, como de costume gritei... “Vó, to indo no shopping, a senhora quer ir?” ela decidiu me acompanhar, chegando lá, de repente, ela avistou o cartaz da peça “FRAGMENTOS”. Já tinha escutado falar da peça, alguma coisa sobre o Women’s clube e um grupo de amigas que haviam se reunido para fazer um espetáculo e do sentimento que minha avó teve por não poder ter ido na semana de estreia. Juro que no momento lembrei-me de todas as vezes que ela me fez vestir um monte de pano pra fazer um pastor num presépio vivo, jornaleiro numa peça na igreja, menino Jesus e todo tipo de loucura que ela inventava nas confraternizações de família. Mesmo assim eu disse: “Quer que eu vá com a senhora?” Acho que ela ficou feliz. Na saída minha irmã me perguntou pra onde eu ia e eu contei que ia ao teatro com Dona Carmem, ela me deu um olhar de exclamação tão grande que só me sobrou rir.

O fato é que cheguei a CDL para ver uma peça que não tinha a mínima ideia do que dizia e saí chocado. Foi incrível como sete senhoras conseguiram trazer a tona milhares de lembranças de um tempo, não tão distante, mas que por conta dos avanços contemporâneos tornaram-se obsoletos e falar de assuntos densos e importantes para a sociedade em que vivemos sem de modo algum ser chato, cansativo ou parecer uma eterna melancolia. Muito pelo contrario, o espetáculo é divertidíssimo, de uma sensibilidade enorme e um profissionalismo incrível.

Fragmentos – Pedaços de vidas embrulhados em lembranças” Fala do encontro de sete amigas que, enquanto fazem um bolo, relembram o passado, o tempo de escola, a infância, a juventude, os amores, o café, o bolo, as broas, o queijo fresco, os biscoitos, o leite, os compadres e a comadres de um tempo que não volta mais. Nos faz refletir sobre a velhice e sobre o olhar que lançamos sobre os idosos, tão as margens na sociedade de hoje. No fim a partilha do tão esperado bolo, também partilhado com a plateia, nos manda para casa embrulhados em lembranças, seja qual for nossa idade.

A peça tem direção do experiente diretos Marcus Pérsico e conta com a interpretação de Angélica Muritiba, Dilma lobo, Jilça Oliveira, Leny Madalena, Lúcia Angélica, Márcia Vilar e Tereza Silva. “FRAGMENTOS” Ainda estará em cartaz no Teatro da CDL dias 12 e 13 de agosto. Vale muito a pena ir conferir. Abraço pessoal.

No fim Minha irmã é quem ficou arrependida de não ter ido.

FALA MACACO!

Quantos macacos foram necessários descer das arvores e arriscar andar sobre duas pernas para que a humanidade pudesse surgir?

A habilidade de nos expressar através de linguagem verbal e obter a capacidade de raciocínio, nos difere dos outros animais e foi um trabalho árduo de milhares de anos exercido pela natureza, pelo ambiente e pelo sistema em que este ser estava inserido. As coisas, mesmo hoje, continuam assim. Ainda somos uma espécie em evolução e reproduzimos comportamentos, sejam eles mentais ou físicos, de acordo com nossa cultura, espaço geográfico, sexo e etc... Somos o que a Psicologia chama de ser Bio-psico-social, há quem diga também o espiritual.

Nenhum ser humano é uma ilha, vivemos num sistema onde cada sujeito depende de outro para exercer alguma função. Muito mais complexo que isso. Nos comunicamos com outros sujeito e através desta comunicação construímos crenças, ideologias, reflexões e através disso constituímos nosso ser e passamos o conhecimento para gerações futuras. Entretanto, mesmo diferenciados das outras espécies por todas estas capacidades listadas acima continuamos sendo animais, primatas, macacos... Macacos sabidos.

Pensando nisso tudo, decidi criar aqui no blog um dia diferente. Um dia em quem outro Macaco, além de mim, mostrará uma ideia sobre um determinado assunto esperando ajudar outros macacos, seja com uma reflexão ou meramente uma boa leitura. Assim nasceu o “FALA MACACO!” que acontecerá todas as Sextas feiras aqui no “Macaco Sabido”.

Fiquem Ligados!!!

OBS: Para participar do “FALA MACACO!” Mande um e-mail para o endereço kakaukrusch@hotmail.com com o assunto “FALA MACACO!” com o texto que você deseja publicar neste espaço. Ai é só espera o Macaco Sabido responder. Abraço a todos!!!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Por que ela?

Ei... Será que eu já te vi em algum lugar? Sei lá! É porque parece que eu te conheço há anos. Sei que parece loucura. A gente ta junto há tão pouco tempo, mas é como se eu conhecesse você a minha vida inteira. Como se eu não me lembrasse mais de mim sem você por perto. Estranho não é?

Quantas e quantas vezes passamos por isso? Essa sensação de dejavu diante de alguém por quem nos apaixonamos. A quem diga: “por que logo essa pessoa que não tem nada haver comigo?”. Será? Dê uma olhadinha pro passado e me diga: Com quem essa pessoa se parece? Ou melhor: Com quantas pessoas essa pessoa se parece? De quem é o olhar, o cuidado, o afago, o beijo? Ta se lembrando de muita coisa não é? (risos)

Todo encontro de amor é um reencontro. Já dizia Freud. Ao encontrar a famigerada “pessoa certa” nos reencontramos com figuras do passado, pai, mãe, amigos, primeiro, segundo, terceiro amor, todos aqueles que deixaram marcas na nossa vida. Nossos relacionamentos são decididos por nossa história, pelo que nos fez rir e até mesmo pelo que nos fez chorar. Buscamos sempre esses personagens da nossa vida, afinal foram eles que nos constituíram como existência. Através do olhar destes personagens nós construímos toda uma fantasia sobre o outro, sobre a pessoa ideal, o relacionamento ideal.

Lembro-me agora de um trechinho de uma música do Nando Reis (adoro citar música porque a música consegue despertar coisas que muitas vezes não sabíamos que estava lá, além de ser acessível a todos).

“ Pra você guardei o amor que aprendi vendo os meus pais, O amor que tive e recebi e hoje posso dar livre e feliz...”

Acho que posso resumir todo este post nesta citação. Amamos o que nos é sintomático.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Remando

Hoje faz mais um ano que remo por ai, completamente a deriva num oceano de vontades. Remo meu escaler sozinho, em direção a sonhos, mas basta atracar numa ilha de desejo para o meu querer não mais cobiçar estar lá. Então subo no meu barquinho e remo para outro lugar esperando que nesta nova ilha esteja o que procuro. Engano-me mais uma vez.

A Natureza do ser humano é desejar. Desejar, conquistar e então desejar outra coisa. Feliz do que deseja o abstrato. A felicidade por exemplo. E assim passar a vida toda buscando o inalcançável. Infeliz a sorte do colecionador. Guardando no chão, nas paredes, no teto, nas estantes, vestígios do desejo insatisfeito, objetos onde a vontade se materializou e diante da posse mudou de lugar, escapou, foi se esconder em outro objeto, num eterno jogo de esconde-esconde.

1... 2... 3... 4... 5... Já estou indo procurar!

“Amamos desejar mais do que amamos o objeto de nosso desejo” já dizia Friedrich Wilhelm Nietzsche. Há muita verdade nesta afirmativa.

Continuo assim. Não tenho a mínima intenção de parar. Afinal essa é a dinâmica da vida. Se formos pensar na imortalidade do espírito, não paramos de desejar nem depois de mortos. Tenho certeza que no próximo porto encontrarei alguma coisa do que quero, e no próximo, e no próximo...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Narciso e Narciso (Ferreira Gullar)

Ainda sobre o tema anterior:

Me deu um pouco de trabalho achar um texto que vi numa palestra, mas enfim encontrei. Espero que apreciem! Este texto é especialmente para Debora, Carol Almeida, Any Caroline, Anne Freire e a dupla Priscila e Gleika (Gossip Girl) que gostam de poesia e muito me honram ao acompanhar meu blog.


Narciso e Narciso

Se Narciso se encontra com Narciso
e um deles finge
que ao outro admira
(para sentir-se admirado),
o outro
pela mesma razão finge também
e ambos acreditam na mentira.

Para Narciso
o olhar do outro, a voz
do outro, o corpo
é sempre o espelho
em que ele a própria imagem mira.
E se o outro é
como ele
outro Narciso,
é espelho contra espelho:
o olhar que mira
reflete o que o admira
num jogo multiplicado em que a mentira
de Narciso a Narciso
inventa o paraíso.
E se amam mentindo
no fingimento que é necessidade
e assim
mais verdadeiro que a verdade.

Mas exige, o amor fingido,
ser sincero
o amor que como ele
é fingimento.
E fingem mais
os dois
com o mesmo esmero
com mais e mais cuidado
- e a mentira se torna desespero.
Assim amam-se agora
se odiando.

O espelho
embaciado,
já Narciso em Narciso não se mira:
se torturam
se ferem
não se largam
que o inferno de Narciso
é ver que o admiravam de mentira.

*do livro Barulhos

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Narciso e o amor.

Tem muita gente curiosa pelo trabalho de monografia que eu e Jailson temos desenvolvido ao longo deste semestre. É certo que ainda estamos na fase do projeto e que ainda iremos apresenta-lo a uma banca para só a partir deste ponto começaremos de fato a epopeia da monografia. Vou aproveitar e publicar aqui uma previa de como estamos pensando o amor e aproveitar para convidar a todos para a nossa pré banca nesta Sexta feira às 14:00h no auditório da Faculdade Nobre. Abraços a todos.


No cotidiano, percebemos a fragilização dos relacionamentos amorosos, seja por conta, talvez, da falta de um modelo padrão, nossos pais por exemplo, ou pela substituição do verbo “estar” pelo verbo “ficar”. O fato é que percebemos também que o amor, seja ele em sua forma mais simples ou mais complexa, tem tomado uma conotação individualista, um “aproveitar-se” do outro como forma de satisfação pessoal. Mas será que somente hoje ele passou a ter este aspecto?

Percebemos desde tempos mais antigos, com o amor romântico, ou até mesmo o trovadorismo e seu amor cortês, que o amor ainda assim tem um aspecto de satisfação pessoal. O amor cortês do século XII possuía a implicação de ser um amor impossível e a beleza deste amor era a impossibilidade da concretização, onde o sujeito extraia satisfação, ou o gozo, segundo Lacan, da impossibilidade deste amor, sem necessariamente ter algo haver com o outro. Sendo assim, não há como conceber o amor sem nele estar incutido uma questão meramente narcisista.

Se formos observar dentro da teoria psicanalítica as condições do desejo, facilmente perceberemos que não há como desejar algo que já temos; segundo Freud, nós só desejamos o que nos é faltante. Assim é também nas relações amorosas. Desejamos no outro o que nos é faltante e esperamos que este outro venha a nos completar. Mas se é um complemento que procuramos, o amor deixa de ser um lançar-se ao outro e passa a ser um eterno buscar a si mesmo tornando assim o encontro com o outro impossível tendendo a um fim como o de Narciso, no mito grego, afogado num lago em busca de si.