sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Receita.

Morando sozinho descobri as maravilhas da culinária de solteiro. Algumas pessoas podem me perguntar que diabos é isso, mas quando se mora sozinho a praticidade é indispensável na nossa dispensa (quando se tem uma dispensa). Decidi então arregaçar as mangas e fazer minha própria feira.

Não espere um super mercado com um Hiper na frente, na verdade costumo comprar comida na padaria Fernandes aqui mesmo no Feira VI e somente ontem alguém me disse que era o lugar mais caro (DROGA!).

A nota do mercado diz basicamente que eu comprei:

  • 15 Cup Noodles
  • 8 latas de sardinha
  • 8 latas de atum
  • 15 pacotes de biscoito recheado
  • 25 miojos
  • 3 garrafas de 2 litros de Coca Cola
  • 20 Polpas de frutas
  • 5 caixas de leite
  • 3 latas de Nescau
  • Papel higiênico
  • Guardanapo
  • Pratos e copos descartáveis.
  • Presunto
  • Mussarela
  • Molho de tomate

Dentre outras coisinhas que sempre precisamos.

Sendo assim deu pra perceber que minha alimentação vai ser basicamente macarrão. Se é que podemos chamar Miojo de macarrão. Na verdade o morandosozinho.net e o Desciclopédia conceituam o miojo como Um quitute chinês originário do nordeste brasileiro, muito apreciado no sudeste (…) por estudantes universitários, lactantes e velhos banguelas.

Pra quem tiver afim de experimentar meu modo de vida não tão convencional

vou passar uma receita que aprendi pesquisando no meu querido amigo de todas as Horas... o GOOGLE.

Receitas:

Algumas receitas pra quem puder esperar mais do que os três minutos e quiser realmente diversificar o miojo:

Lasanha de Miojo:
Ingredientes:
3 pacotes de miojo
2 latas de molho de tomate
Pitadas de Sal
Presunto e mussarela (+ ou – 250 gramas)
Queijo ralado (q quantidade que tiver na geladeira)
01 Cx de creme de leite (opcional)
06 Latas de cerveja.

Modo de preparo:
Ferva o molho de tomate com duas pitadas de sal e água. Use a lata do molho de tomate pra tirar a mesma medida de água. Abra uma cerveja e tome o primeiro gole enquanto espera ferver o molho.

Quebre as placas do miojo ao meio. Coloque numa assadeira preenchendo todo o espaço e jogue um pouco do molho por cima (Nesse momento tome cuidado pra não se queimar, afinal você já bebeu a cerveja). Faça uma camada colocando Queijo e logo em seguida uma de presunto.

Coma um pedaço do presunto e abra outra cerveja. Se quiser pode usar creme de leite entre as camadas.
Vá repetindo o procedimento até terminar todas as camadas possíveis, na cobertura final você deve colocar primeiro o presunto e depois o queijo. Jogue o queijo ralado por cima e leve ao forno pro aproximadamente 20 minutos.
Enquanto espera os minutos pode ir tomando as cervejas.

Fonte da receita: Mil e uma maneiras de se preparar um miojo

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Panos de prato

Morar sozinho tem lá suas grandes facilidades. Você pode ir pra onde quiser, fazer o que quiser, receber quem você quiser, dormir até a hora que quiser, mas tem também suas grandes desvantagens.

Algumas pessoas podem me chamar de idiota agora, mas dêem o devido desconto, eu morava na casa dos meus pais, tinha empregada e mãe por perto. Descobri a função dos panos de prato. Sério... na minha vida toda nunca me imaginei tendo de comprar panos de prato. Eles não são somente aqueles paninhos meio encardidos e sempre úmidos que encontramos sobre a pia na cozinha. Se você deseja manter sua pia sempre limpa e organizada e se deseja comer em pratos sempre limpos e secos (falo secos por que quando se mora só, ao menos é assim comigo, você acaba tendo só o necessário para tornar a casa habitável e como tendemos sempre a deixar as coisas para depois, as vezes precisamos de um prato e ele está sujo. Então temos que lavá-los para comer . O chato é que nem sempre a fome espera o prato secar no escorredor) você vai precisar de alguns panos de prato.


De todos os problemas que tenho enfrentado durante a minha jornada aprendendo a me virar sozinho, não são os serviços domésticos os que mais incomodam. Eles ocupam boa parte do tempo é claro, tempo precioso muitas vezes, mas não há nada que alguém dotado de cérebro não consiga fazer. Acho que o grande problema é a alimentação.


Nesta de liberdade acabamos nos alimentando mal. Comendo porcaria fora de hora, pulando refeições...


Cozinhar, diferente do Café Mania do Orkut, é um grande problema porque não envolve somente a mecânica como nos outros serviços. Envolve habilidade. Sendo assim, meus caros leitores, acho que estou fadado a comer somente Miojo e comida enlatada. O site da Ana Maria Braga não ajuda muito, lá tem um monte de receitas requintadas e nem sempre dá pra fazer um arroz à grega ou um pato ao molho de laranja. Hoje tentei fazer uma lagosta, isso foi o que eu consegui de mais próximo.



No mais ta tudo sobre controle... Graças Jeovah e os deuses do Olimpo eu tenho internet e sempre que preciso de algumas coisa eu pergunto ao grande amigo de todas as horas... O GOOGLE.


Encontrei um blog que me ajudou bastante esses dias... o link ta logo a seguir.( http://maurilioferreiralima.com.br/2010/01/saiba-como-limpar-sua-casa-de-forma-organizada/ ).



É isso ai pessoal... qualquer dica ou ajuda deixem um comentário no texto... será de grande valia. Abraços.



P.S:. Quem ta com saudades das minhas discussões filosóficas me desculpem, as coisas andam um tantinho complicadas... mas prometo que logo logo posto um texto mais cult.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Morando sozinho

É... este post demorou um pouco pra ficar pronto, na verdade eu tinha uma série de coisas pra resolver antes de pensar em internet.

Pra quem não sabe eu me mudei. Sai de casa, como diz uns conhecidos EMOs, tava meio “revolts” (rsrsrsrs) estou morando no Feira VI um dos lugares mais bacanas de Feira de Santana. E pra ser sincero tem sido uma experiência incrível. Fiz uma lista de coisas que a gente acaba aprendendo quando moramos sozinhos. Vou listá-las algumas linhas abaixo.

Tenho feito coisas que nunca fiz na vida. Lavar prato, arrumar casa, lavar banheiro, fazer feira, comprar pão, lavar roupas e coisas do tipo... Sendo assim acho que vou ter muitas coisas para contar a vocês nos próximos dias.


25 coisas que se aprende quando se mora sozinho.

Você aprende que...


  1. Existem mais pessoas que se preocupam com você do que imagina.

  2. Os amigos são nosso maior patrimônio. Mantenha-os sempre por perto.

  3. Namorada. Escolha a garota certa.

  4. Séries de TV podem salvar sua vida.

  5. Existem um potencial escondido em todas as coisas. Uma caixa de tomate, dois azulejos e fita adesiva pode virar uma mesa de computados com mousepad.

  6. A sujeira não desaparece magicamente, você tem que limpa-la.

  7. A roupa não limpa sozinha, você tem que lavá-la.

  8. O papel higiênico não vai pro banheiro sozinho.

  9. A garrafa de água não se enche sozinha e vai parar dentro da geladeira.

  10. Arrumar a casa dá um trabalho dos diabos e cansa.

  11. Não se deve acumular cueca suja. Aproveite o banho e lave-as.

  12. Um real de pão são só 5 pães.

  13. Uma caixa de leite custa R$ 2,45.

  14. A vassoura deve ser segurada com uma mão no meio do cabo e outra na ponta se você deseja manter o chão limpo.

  15. Copos, pratos e talheres servem pra muito mais coisas do que você imagina. Acredite.
  16. O copo do liquidificador dá trabalho de limpar.

  17. Não se deve comer no quarto. Migalhas atraem insetos indesejáveis.

  18. Dinheiro não é um problema, é uma solução. Economize-o.

  19. Não adianta ter conhecidos na Coelba, economize energia ou as coisas podem se complicar

  20. Se você tiver um PlayStation o mundo pode acabar, mas se você não tiver uma TV é tão inútil quanto um rebobinador de fita K7.

  21. Você precisa levar o lixo pra fora.

  22. O Carro de lixo passa toda terça feira.

  23. A maioria das roupas que você julgava sujas na casa dos seus pais ainda pode ser usada mais alguns dias.

  24. É sempre bom tirar o sapato na porta para evitar sujar a casa.

  25. Rodo serve pra tirar o acumulo de água no chão.

Há algum tempo escrevi num tutorial de como pegar ônibus em Feria de Santana um pequeno texto sobre o Feira VI. Vou cola-lo neste post. Quem quiser ver o tutorial completo clique no link abaixo.

http://nada-declarado.blogspot.com/2010/07/tutorial-como-pegar-onibus-em-feira-de_14.html


O Feira VI: O Feira VI é o lar de todos nós e ao mesmo tempo a terra de ninguém. Se Você ainda não conhece este tão famoso lugar, tema de tantas músicas e poemas, tema de tantos filmes e fotonovelas (a maioria proibida para menores de 18 anos), conheça-o. Há boatos de pessoas que foram visitá-lo e nunca mais saíram de lá... Vivem de casa em casa, de festa em festa, alheios ao mundo que os cerca. Quando se tem uma leve dor de barriga, os moradores deste bairro ligam ou pra aquele estudante de medicina da UEFS (que por sinal tem esta sigla por se chama Universidade Estadual do Feira Seis) ou aquela coleguinha de enfermagem e logo logo está tudo bem. No Feira VI fica a tão famosa padaria Fernandes onde se come um Cheese calabreza, salada, egg, creme de milho, cebola frita, viagra, maionese, bacon, champignons, rosbife, cheddar, gorgonzola, et al burger ou como é chamado popularmente, X-TUDO, que nada mais é do que a junção de todos os sanduíches existentes no globo terrestre num único e gigantesco pão dourado na chapa com fundo crocante e gergelim e tudo isso pela ínfima bagatela de R$ 3,00 (três reais). Lá também fica o Fifó, onde todas as quintas-feiras a NATA estudantil curte o mais famoso forró pé de serra com os Meninos de seu Zéh!!! Não se podemos deixa de falar do Abdala onde você encontrará o famoso Missdog e, logo ao lado, o acarajé de R$ 0,75 (setenta e cinco centavos). É ou não é o paraíso?


[...]


Simulação de manobra complexa para pegar um ônibus:

Nome: Jacinto Amaral Akino Rego.

Idade: 22 anos

Mora em: Aviário

Deseja ir para: Feira VI


Jacinto saiu de casa às 13:11 de quinta-feira, dia 11 de junho de 2009. Logo depois de bater aquela maniçoba com queijo minas e farinha acompanhada de um copaço de suco de maracujá-do-mato. Pegou o ônibus vermelho Linha Aviário via Feira X [Rua E] às 13:11 e 24 segundos (os ônibus que fazem a rota Feira X são os únicos que passam de 30 em 30 segundos, sem falar que Deus ajuda quem cedo vai para o Feira VI, mas se ainda assim você for tarde, antes tarde que nunca). Chegou à estação de Transbordo Central às 13:42 e pegou outro ônibus na plataforma E às 14:20, mais uma vez um vemelho, de linha UEFS via Maria Quitéria. Passou rapidamente pela estação Norte na Cidade Nova e seguiu viagem. Saltou na frente do conjunto pouco antes da UEFS às 15:51. Tomou um banho na casa de Camilla, jantou na casa de Isabela, foi para o Fifó, dormiu na casa de Aline, tomou café na casa de Adriana, seguiu para uma festa na casa de Fernanda, almoçou por lá, assistiu “Querida Estiquei o Bebê”, que passava na Sessão da Tarde, na casa das gêmeas Luanna e Huanna, jantou na casa de Denise beiço de jegue, foi pra uma festa na república Donzelas Felizes, dormiu na casa de Paulo Sérgio e Raul onde pela manhã experimentou alguns medicamentos que os garotos haviam roubado do ambulatório da Universidade, ficou doidão na casa de Thiago, teve uma diarréia e se limpou com o macarrão que estava no escorredor da casa de Luiz, seguiu para uma festa que rolava na senzala da UEFS, encheu a cara de cravinho louco, acordou um mês depois sujo e sem roupa, pegou uma cueca emprestada na casa de Vinícius, uma calça na casa de Ítalo e seguiu para a entrada do conjunto. Pegou o ônibus verde linhas UEFS [Direta] às 22:57 do dia 27 de Julho em direção ao transbordo central chegando lá às 23:59 onde dormiu porque só tem ônibus até 00:00. Acordou cedinho e pegou, na plataforma D, o ônibus vermelho linha Aviário via Feira X [Rua E] às 5:30 e voltou para casa às 6:13 do dia 28 de Julho de 2009.


É isso ai pessoal... até a próxima. Tenho que fazer meu almoço!!!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Por Deus, pelo público e pela Sonnora.

Como prometido, um conto da Sonnora pra vocês.

Todos os personagens desta História são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.

Sábado, 05 de Junho de 2010.

O som louco das guitarras enchia o ambiente apertado do “Botekim” com um barulho ensurdecedor. O ar estava pesado e cheirava a fumaça de cigarro. Chris já se perguntava: “que diabos eu estou fazendo aqui?” As pessoas ao seu redor eram estranhas, aquele não era o seu público. Ele estava acostumado a tocar para garotas de vestidos chiques e sapatos de salto alto e, DEFINITIVAMENTE, aquele não era o seu público. Sua banda, a Sonnora, tocava um som mais pop, eles eram uma banda de Pop Rock, e de repente estavam num bar cheio daquele Rock’n Roll barulhento e corpos distorcidos, mexendo-se como povos tribais.

Chris tinha passado um dia difícil naquele fatídico sábado; estava sozinho em casa vendo um filme (O Livro de Eli). Depois que a tempestade de um fim de relacionamento havia passado, aquele era o primeiro dia em que de verdade sentia saudades dela. Aquela garota de olhos grandes tinha sido a razão de sua medíocre existência durante cinco longos anos. Junto a ela Chris havia vivido os melhores dias de sua vida e, conseqüentemente, sem ela ele viveu os piores. Como ele mesmo costumava dizer: “fui ao inferno e tive sorte de voltar de lá pra contar a história”. Desde o fim dos dois, ele não havia mais visto a garota de olhos grandes e duvidava muito que isso um dia fosse a acontecer. Agora ele estava ali, naquele maldito bar, prestes a tocar para um público que não era o dele e ouvindo uma música que não se parecia em nada com a que ele costumava fazer.

Pouco a pouco, o público da Sonnora começou a chegar, era nítida a diferença entre eles e as pessoas que freqüentavam o Botekim naquela noite. Ele estava próximo à porta e recepcionava pessoalmente todos aqueles que vieram para vê-lo cantar. E foi enquanto fazia isso, que o impossível aconteceu. Aqueles olhos grandes e lindos despontaram na entrada daquele maldito bar; Amanda. Tão linda quanto ele podia se recordar, com um vestido preto e os cabelos presos em um “rabo de cavalo”. O coração de Chris parou naquele momento. Ele estava programado para reagir naquele ambiente estranho, com pessoas estranhas, mas não com ela lá dentro, não dividindo o mesmo espaço que a garota que deixou para trás há quatro meses (para ele pareciam quarenta anos).

Eles se olharam, parecia um filme... Não sabia mais o que fazer, nem o que dizer, nem como se comportar... Não era mais o mesmo cara.

-Oi!_ arriscou a primeira coisa que veio à cabeça.

- Oi!_ respondeu ela, se sentindo tão estranha quanto ele.

- Vamos conversar?_ Arriscou uma frase mais complexa.

- Chris, esse não é o momento. A sua banda será a ultima a tocar, falamos depois._respondeu seca.

- Duvido muito. Na verdade eu acho que você pegou o seu CrossFox e dirigiu a mil por uma estrada completamente diferente da minha, duvido que tenhamos outra oportunidade._ Mais uma frase imbecil. Pronto. AGORA ELE ERA UM IMBECIL COMPLETO.

Ela fez uma cara de “que pena, então”, torcendo a boca. Ele saiu do bar, respirou fundo, contou até 10 e voltou, fazendo de conta que nada estava acontecendo.

Cruzou o bar inteiro, encontrou um de seus companheiros de banda e desesperado falou:

- Fred!!! Cara, me ajuda por favor. Eu vou embora, não posso mais ficar aqui._ Disse, desesperado.

- Calma, Chris. O que é que aconteceu?_ respondeu o guitarrista da Sonnora.

- Ela tá aqui cara... ela tá aqui!!!

- Ela quem?

Foi quando Fred viu. Parecia uma alucinação, Amanda estava lá. Depois de quatro meses sem nenhuma notícia, ela estava lá.

- Cara, fica calmo, agora é que a gente tem a obrigação de botar pra fodernesse show. Vai dar tudo certo._disse Fred.

Chris consentiu com a cabeça. Nela passava um filme. Um filme de cinco anos em flashs rápidos e descontínuos. Tomou uma decisão. “Vou beber alguma coisa.” Correu até o balcão e pediu uma dose de Red Label. Bebeu em grandes goles. A droga do filme não parava de passar dentro da sua cabeça.

-Preciso de outra dose._Disse em voz baixa, enquanto cruzava com ela no salão do Botekim. Assim ele fez. Tomou outra dose da bebida.

O som não parecia mais ruim... Ele já se mexia como os demais loucos naquele manicômio em forma de bar. O Red Label corria pelas suas veias, como se estivesse sendo invadido por um espírito estranho. Quanto mais bebia, sentia que precisava de mais.

O show começou. Alguém falava no microfone:

- Senhoras e senhores. Essa noite, no palco do Botekim... SONNORA.

Demorou um pouquinho até que ele percebesse que chamavam a sua banda. Correu, subiu no palco. Ainda estava lúcido. Lembrava de ver seus companheiros de banda, cada um arrumando o seu instrumento. Lembrava-se de ver a platéia estranha (naquele momento nem tão estranha assim) esperando o que viria daquela banda. Lembrava-se de ter dito algum “bla bla bla” de apresentação, e de sua ultima frase de lucidez:

- Por Deus, pelo público e pela Sonnora.

A primeira música estava sendo executada, seus batimentos cardíacos se aceleraram com toda aquela adrenalina, o “Red” corria mais rápido na sua corrente sanguínea.

Meu Deus, eles estão gostando_ pensou, vendo o público voltando a dançar.

Sua audição foi sumindo gradativamente até que naquele palco não sobrasse mais nada do velho Chris. Um cara sem vícios, que não bebia e nem fumava. Um cara certinho, politicamente correto. Não era mais ele naquele palco... Ele era agora um daqueles espectadores, vendo seu corpo respondendo a comandos que não eram os dele.

- Chris, o que você está fazendo??? A letra da música não é essa!_ tentava desesperadamente dizer isso, mas o novo Chris não estava nem aí.

Um cara que ele não conhecia estava em cima do palco cantando como um louco, correndo para um lado e para o outro, fazendo tudo que um vocalista de pop rock não devia fazer. Mas, o que era de se espantar, aqueles malucos na platéia estavam gostando.

Ouviu Fred dizer: “Tenha cuidado”.

Gritou pra si mesmo: “Escute o cara, deixe de ‘macacada’.”_ mas era tarde demais.

- Chris!! Você está bem?_ perguntou Evert, o baterista.

Fez sinal de positivo pra ele. Bem, uma ova; Chris estava desesperado.

Viu Amanda mais uma vez cruzando o salão, pensou em chamá-la, mas o que ia dizer? O que ele ia fazer? Aquele cara que estava cantando não era o cara que ela havia amado. Ele não era daquele jeito.

O show continuou até que tocassem a ultima música. Desceu do palco exausto. Tentou retomar a consciência, pediu desculpas aos colegas pelo excesso. Pessoas o paravam e elogiavam o show, davam apoio, gritavam: “FOI DE FODER!!!”. Ele sabia que não tinha sido nada daquilo, não era assim que ele tinha aprendido a tocar, a cantar... Despediu-se de todos, cruzou com Amanda pela última vez, acenou, com a cabeça, para ela. Não soube traduzir aquele último olhar, não sabia se ela estava com vergonha dele ou se da situação do encontro.

Pegou o carro e foi embora, não sabia como havia chegado a sua casa. As coisas foram ficando escuras. “Capotou” na cama, de cansaço. Aquele Chris, o novo Chris, disse suas ultimas palavras e apagou.

- Por Deus, pelo público e pela Sonnora.

Tudo ficou escuro. O dia logo amanheceria e ficaria tudo bem. Ele voltaria a ser ele.

Sonnora, O Livro

Caramba! Eu não sei como não tinha pensado nisso antes. De repente, num papo totalmente informal surgiu a idéia:

- Por que você não escreve um livro sobre a Sonnora?

Ai foi como um estalo. E as idéias começaram a pipocar na cabeça. No início pensei em escrever uma história seqüenciada, com um início, um meio e um fim. Agora estou pensando diferente. Ele será uma série de contos que podem ser lidos separadamente, mas que vão seguir uma ordem cronológica. Já escrevi alguns.

O bom disso é que nunca se sabe quando o livro vai estar pronto, acho q quando estiver com um volume legal, quando todos os contos passarem pelo crivo da censura dos meus companheiros (nem tudo pode ser contado).

Mas o livro promete uma boa dose de drama, aventura, terror (é, com fatasma e tudo), intriga e também romance. Afinal como falar de música sem falar de sentimento?

Estou bem empolgado escrevendo. Tem sido divertido lembrar coisas do passado, coisas que nós cinco fizemos juntos e etc, principalmente hoje em tempos conturbados.

Em fim aviso a vocês sobre o andamento das coisas, vai ser divertido dividir com vocês nossas histórias, mesmo q eu tenha mudado o nome dos personagens. Logo logo posto um conto ok??? Abraço galera.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"NÃO SE ACOMODAR COM O QUE INCOMODA"

Vi que comentaram nos meus textos. Adoro quando comentam. Pra mim é como alguém que me aponta o que eu não estou conseguindo ver. Sabe quando você esta com a cara enfiada num quadro e por isso não consegue ver a pintura toda? Funciona mais ou menos assim. Um destes comentários me deixou um tanto inquieto e me fez pensar bastante, por conta disso decidi escrever sobre.

Alguém me responda. Existe alguma forma de mudar, se não através do incomodo? Existe um jeito eficaz de deixar velhos hábitos se não através do arrependimento, do sofrimento, das provações? Existe alguma forma de aprender se não errando? Eu desconheço.

Não me sinto um cara pessimista. De forma alguma... Sou até otimista demais. E meu texto anterior fala justamente sobre isso. Quando olho para 2010 e vejo o que passei durante o ano é claro que percebo as coisas boas. Estas foram as vitórias. E como o próprio nome já diz, vitória é o que já foi conquistado e já é de conhecimento de todos que só desejamos o que nos falta. Então está ai o desejo de mudança de toda virada do ano. Queremos o que não conseguimos, o que nos foi negado, a vitória que nos foi roubada. Pra que mudar o que já estava certo? Pra que mexer em time que já está ganhando? Vitórias devem ser agradecidas, derrotas devem servir de lição e motivação para uma nova batalha.

Há de se olhar pra trás com um olhar crítico, de que somos capazes de muito mais. Temos que olhar para os erros e aprendermos com eles. Afinal, nos torna humanos a capacidade de passar para nossos descendentes as experiências vividas no passado para que eles, assim como nós, aprendam também.

Viver num mundo pleno, criado somente em coisas boas é viver num “faz de conta”, é fantasiar, e viver na fantasia não seria Psicose? Acho que Freud me ensinou assim (rsrsrsrs). Se agarrar no conquistado e somente neles leva a estagnação. É se contentar com muito pouco.

Queria terminar o post com um trechinho de uma música do Jay Vaquer (Tal do amor)

“... Se a gente perder Que seja derrota suada, sofrida, roubada... De mão beijada nem a pau!
E se a gente ganhar Que seja vitória disputada, merecida, conquistada...”

Feliz 2011

É... Voltei. Acabei recebendo uma proposta de passar o ano novo acampado na praia de Catussaba em Stella Mares. Foi legal, estava entre amigos o que torna a coisa bem mais bacana. É Isso ai... O ano começou muito bem e eu comprei uma agenda. Espero este ano não me enrolar mais nos meus compromissos ou a coisa vai ficar feia. Vocês não sabem quanta importância faz uma agenda na vida de um ser humano. Me sinto bem mais leve em saber que é responsabilidade dela me lembrar do que tenho que fazer durante a semana. A minha é só de mantê-la atualizada. (hehehe).