
A gente tem corrido tanto. Andando com tanta pressa, o tempo todo estamos tão atrasados que esquecemos de olhar para certos lugares. Aquela pessoa que te sorri ou te dá boa noite na frente da faculdade, aquele lugar bonito no meio do caminho do trabalho para casa.
A vida passou a ser uma série de pequenas missões como num jogo de vídeo game.
06:00h – acordar
07:00h – pegar o ônibus
08:00h - chegar ao trabalho
08:00h/ 12:00h – trabalhar
12:30h – almoçar
13:00h – voltar ao trabalho
13:00h/ 18:00h - trabalhar
19:00h - chegar em casa
20:00h – jantar
21:00h ver a novela das 8 (que começa às nove), afinal, estamos no Brasil
22:00h dormir
Acabou o dia. Daí, começamos tudo de novo.
Nada contra rotina. Sou até um cara que costuma gostar disso. Mudar é o que me assusta. Prefiro apostar sempre no que está dando certo. No meu ponto de vista, o grande problema não está na rotina. Não é neste horário engessado que descrevi, mas justamente no que a gente faz entre uma coisa e outra.
Certa vez dirigia para a clínica. Tinha acordado cedo e cheguei lá umas oito da manhã e alguém me perguntou: “O que você fez hoje?” respondi instintivamente: “NADA”, mas não tinha sido nada. Eu tinha acordado, tomado banho, escovado os dentes, de café da manhã eu tinha comido panquecas com mel que minha mãe tinha feito, depois eu peguei o carro e no meio do caminho encontrei uma amiga esperando o ônibus, dei carona a ela até o shopping, no caminho conversamos sobre alguma coisa sobre como é complicado casar e ter filhos muito cedo. No rádio tocavam sucessos dos anos 80, me lembro de ter escutado “pedra, flor e espinho” do barão vermelho e “sete cidades” do Legião Urbana, só depois disso tudo cheguei a clinica e encontrei o colega que me fez a famigerada pergunta. De repente NADA se transformou em ISSO TUDO.
A gente tem corrido tanto. Andando com tanta pressa, o tempo todo estamos tão atrasados, mas se a gente não parar um pouquinho acabamos passando despercebido por momentos muito bacanas das nossas vidas. Incrível é que na maior parte das vezes são os únicos momentos em que a gente pode ser agente mesmo.